Béquer

Autor: Marcos Tulios Frota Ladislau. Maio, 2022.

O que é? De acordo com Dias, 2004, o béquer está dentro do grupo de equipamentos que são usados para transporte e armazenamento de substâncias de origem líquida ou pastosa. Porém, não se deve restringir a apenas esses usos, pois na prática tal recipiente é usado de maneiras diferentes de acordo com a necessidade e criatividade. ​ ​

Figura 1 - Béquer ou Becher - A área escura gravada serve para fazer marcações semipermantentes com lápis. (SKOOG, 2015)

Característica O béquer é um dos recipientes mais usadas em laboratório. E sua capacidade de volume varia de alguns mililitros até litros. Os mais encontrados no mercado são os de 25 ml, 50 ml, 125 ml, 250 ml, 500 ml e 1 L (ROSA, 2013; DIAS, 2004). Os béqueres quase sempre apresentam marcações indicativas de volume (graduação), conforme visto na figura 1, porém sua precisão é duvidosa, e não se recomenda o uso desta vidraria para fins de fins analíticos. (DIAS, 2004). Os béqueres resistem ao aquecimento, ao resfriamento e também a ataques químicos. Por possuir uma grande abertura é possível fazer operações com agitação usando o bastão de vidro, adição de novos sólidos e evaporação de líquidos não voláteis. A grande abertura também facilita a limpeza do mesmo. (DIAS, 2004; ROSA, 2013) Conforme Porto e Vanin, 1993, os béqueres podem ser de forma baixa, chamada de Copo Griffin e o de forma alta chamado de Copo Berzelius, conforme se vê na figura 2. Pode-se memorizar a diferença existente entre os dois tipos de béqueres, relacionando o nome de maior extensão de berzelius ao béquer de maior estatura e o Griffin, nome de menor extensão, ao béquer de menor estatura.


Figura 2 - Béquer de forma baixa (Copo de Griffin), em baixo e béquer de forma alta (Copo de Berzelius) em cima. O copo Griffin, ou béquer de forma baixa, como se vê, apresenta a forma alargada, com bico para verter líquido e graduação, além de paredes interiores uniformes. Já o copo Berzelius, de forma alta, é mais indicado para ser usado para resfriamento em bandejas ou aquecimentos em banho-maria, pois, além de serem mais altos, ocupam menor espaço, por ter diâmetro menor que o de forma baixa (LENZI, et al, 2012). ​ ​ Como usar? Como já foi dito, o béquer pode ser utilizado em várias operações, porém vamos destacar algumas:

  • Aquecimento de líquidos: para aquecer líquidos com béquer não devemos levá-lo diretamente a chama do bico de bunsen, como o tubo de ensaio. Deve-se aquece-lo através da tela de amianto suportado por um anel de ferro ou tripé de ferro, como se vê na figura 3. A função da tela de amianto é deixar passar o calor, para o béquer, uniformente e impede de passar a chama (TRINDADE, 2013, p. 22).

Figura 3 - Béquer sendo aquecido no bico de Bunsen através de uma tela de amianto e um tripé de ferro.

  • Reações: pode-se realizar reações com adição de líquido ou sólidos.

  • Dissolução: é usado para dissolver determinado sólido ou líquido em um solvente, para o preparo de soluções, entre outras muitas utilidades.

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Dica Nunca deixe soluções básicas fortes por muito tempo nos béqueres, pois eles acabam sendo corroídos devida a ação alcalina. Curiosidades ​ A palavra Béquer ou Becher, como é encontrado em dicionários brasileiros, não é dada em homenagem a um criador. Na verdade a palavra provém do latim medieval bicarius que significa copo. Por sua vez, bicarius, não pertence ao latim clássico, mas entrou no latim através do grego bikos que significa jarro. A escrita Copo de Becker é incorreta. Na verdade o sobrenome Becker se relaciona a família do holandês Christopher Becker que produzia equipamentos químicos nos Estados Unidos ( PORTO e VANIN, 1993). Referências DIAS, A.G; COSTA, M.A; CANESSO, P.I. Guia prático de química orgânica. Rio de Janeiro: Editora Interciência, 2004. v. 1. LENZI, E. et al. Química Geral Experimental. 2. ed. Rio de Janeiro: F. Bastos, 2012. PORTO, P. A; VANIN, J.A. "Copo de Becker" e "Terra de Fuller" dois erros correntes na nomeclatura química do Brasil. otecnologia I: princípios e métodos. Química Nova, São Paulo, v.16, n. 1, p. 69-70, jan./fev. 1993. Disponível em:<http://quimicanova.sbq.org.br/imagebank/pdf/Vol16No1_69_v16_n1_%2815%29.pdf> Acesso em: 11 jul. 2015. ROSA, G; GAUTO, M; GONÇALVES, F. Química Analítica: práticas de laboratório. Porto Alegre: Bookman, 2013. SKOOG, D.A; WEST, D. M; HOLLER, F. J; CROUCH, S.R. Fundamentos de Química Analítica. 9. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2014. TRINDADE, D. F. et al. Química básica experimental. 5. ed. São Paulo: Ícone, 2013. ​


Origem da palavra

O béquer, palavra que provém do latim medieval bicarus, que significa copo, é um recipiente que pode ou não apresentar graduação, e é usado principalmente para dissolução, aquecimento de líquidos, precipitações, reações, etc.

OLIVEIRA, 1993.