Pipeta graduada e volumétrica

Autor: Marcos Tulios Frota Ladislau. Maio, 2022.

O que são?


"As pipetas são instrumentos volumétricos usados para a transferência de certos volumes, de modo preciso, sob determinadas temperaturas” (BACCAN, 2001).

Característica

Gerais


Baccan (2001) descreve dois tipos principais de pipetas: as volumétricas, também chamadas de pipetas de transferência ou pipetas aferidas e as pipetas graduadas ou pipeta de medida e as define da seguinte forma:

  • Pipeta volumétrica: são tubos de vidro expandidos cilindricamente na parte central, possuem a extremidade inferior estreita e têm a marca de calibração do seu volume gravada na sua parte superior, conforme figura 1 (a). Podendo ser encontradas nos volumes de 1,00 à 200,00 mL.

  • Pipeta graduada: são tubos cilíndricos com uma escala numerada de alto para baixo [ou inversamente], até a sua capacidade máxima. Podem ser usadas para transferir volumes variáveis de seu volume total, se bem com precisão menor que a pipeta volumétrica, figura 1 (b).

Figura 1 - (a) pipeta graduada; (b) pipeta volumétrica

Específicas

A pipeta volumétrica e a pipeta graduada, tem suas faixas de cores e quantidade de faixas específicas para cada tipo (INMETRO, 2010). conforme a figura 2 e tabela 1 e 2.

​​Figura 2 - Codificação de cor de pipetas graduadas, mudam mediante o volume máximo e menor divisor gradual.

As normas ISO 1769 e ASTM E969-83 também mencionam a codificação em faixas e cores para cada tipo de pipeta, dependendo da sua faixa de escala e divisão. Isso quer dizer que cada pipeta tem cor e quantidade de faixas específicas para o seu tipo (FIOROTTO, 2014).

Tabela 1 - codificação de cor para pipetas volumétricas.

Volume (mL) Cor da faixa

1 1 azul

2 1 laranja

3 1 preta

4 2 vermelhas

5 1 branca

6 2 laranjas

7 2 verdes

8 1 azul

9 1 preta

10 1 vermelha

15 1 verde

20 1 amarela

25 1 azul

30 1 preta

40 1 branca

50 1 vermelha

75 1 verde

100 1 amarela

150 2 pretas

200 1 azul

Tabela 2 - codificação de cor para pipetas graduadas.

Volume (mL) Menor divisor Cor da faixa

1 0,01 1 amarela

1 0,05 2 verdes

1 0,1 1 vermelha

1,5 0,01 2 vermelhas

2 0,01 2 brancas

2 0,02 1 preta

2 0,05 2 laranjas

2 0,1 1 verde

3 0,01 2 azuis

5 0,05 1 vermelha

5 0,1 1 azul

10 0,1 1 laranja

15 0,1 2 verdes

20 0,1 2 amarelas

25 0,1 1 branca

25 0,2 1 verde

50 0,1 2 laranjas

50 0,2 1 preta

100 0,2 1 vermelha


Há dois tipos de pipetas quanto ao modo de operação: a de esgotamento total e a de esgotamento parcial. E é possível diferenciá-las através de duas formas(CONSTANTINO, 2004):

  1. observando as faixas na parte superior, por exemplo: quando há uma faixa acima do código de cor, significa que a pipeta é de esgotamento parcial, porém se tiver duas faixas a pipeta é de esgotamento total (pipeta de sopro -figura 3).

  2. Outra forma é observar se a mesma apresenta duas marcas de calibração (esgotamento parcial) ou apresenta somente uma marca de calibração (esgotamento total).

Figura 3 - pipeta graduada e volumétrica de esgotamento total, com duas faixas acima do código de cor e apenas uma marca calibração.

As normas ISO 835/1 e ISO 835/2 declaram que existem hoje no mercado, pipetas que são oferecidas em três tipos diferentes: tipo 1, 2 e 3 (FIOROTTO, 2014; INMETRO, 2010; VOGEL, 1981). E destacam sua características:

  • Pipetas do tipo 1 – A leitura é feita ajustando o menisco no ponto zero (no alto da escala). Nesse tipo de pipeta não é descartado todo o líquido, pois ela possui uma marcação limite na parte inferior que deve ser respeitada.

  • Pipetas do tipo 2 – a leitura é feita ajustando o menisco no ponto máximo (no alto da escala). Nesse tipo de pipeta é descartado todo o líquido. Porém, não deve-se descartar a ultima gota, pois ela não é uma pipeta de sopro.

  • Pipetas do tipo 3 – a leitura é feita ajustando o menisco até o ponto zero (no alto da escala). Nesse tipo de pipeta é descartado todo o líquido.



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Pipetas de sopro

Segundo INMETRO (2010) e Fiorotto (2014) a leitura dessa pipeta é feita ajustando o menisco no ponto máximo desejado, e é descartado todo o total. Porém, deve-se além disso, assoprar a ultima gota que resta na ponta da pipeta.

Toda pipeta de sopro deve ter marcada um pequeno anel branco (fosco) próximo da parte superior. Que também pode vir adicionado de uma impressão indicando que o instrumento é uma pipeta de sopro (“blow-out” (soprar), Ä souffler(golpe),” ou equivalente).

Como usar

Pipeta volumétrica

1º Com uma pera de sucção, um pipetador Pi-Pump, ou qualquer outro pipetador, succionamos o líquido para a pipeta até que passe da marca de calibração. Descartamos então o líquido existente dentro da pipeta. Repetindo esta operação uma ou duas vezes para remover traços de reagentes anteriormente usados. (HARRIS, 2005).

2º Após enchermos a pipeta pela terceira vez, ultrapassando a marca de calibração, deixe o líquido escorrer lentamente até que a parte inferior do menisco tangencie a marca de calibração. A pipeta deve estar na vertical e o marca de calibração na altura da vista do operador. (VOGEL, 1981; HARRIS, 2005)

3º Transferimos então a pipeta para o recipiente desejado e, com a ponta da pipeta encostada na parede do recipiente, deixamos o líquido escoar. Após terminar o escoamento o deve-se manter a pipeta encostada na parede por mais 15 segundos, para o escoamento total. (BACCAN, 2001; HARRIS, 2005)

4º As pipetas volumétricas retêm um pequena quantidade de líquido ao final do escoamento, a qual deverá ser desprezada, ou seja, não se deve escoar a ultima gota

( BACCAN, 2001; HARRIS, 2005).

Pipeta graduada

O uso das pipetas graduadas segue praticamente os mesmos comandos do uso de pipetas volumétricas. Porém, variam de acordo com o tipo que se enquadra. Conforme as características especificas, anteriormente mencionadas.

VEJA OS VÍDEOS


Proteção

Segundo Vogel (1981) "nunca se deve fazer a sucção com a boca para encher uma pipeta com substâncias químicas líquidas, ou com solução contendo substância química". Deve-se usar portanto, a pera de sucção ou o pipetador Pi-Pump.

Dica

Quando terminar de usar uma pipeta, ela deverá ser lavada com água destilada ou colocadas de molho. após isto, colocam-se num suporte próprio. para evitar que a poeira penetre no interior, deve-se cobrir com tubos de ensaio ou tampões de algodão. (ALEXÉEV, 1983; HARRIS, 2005)

Referências

ALEXÉEV, V. Análise quantitativa. Tradução: Albano Pinheiro e Melo. 3. ed. Porto: Livraria Lopes da Silva Editora, 1983.

BACCAN, N; ANDRADE, J.C; GODINHO, O.E.S. Química Analítica Quantitativa Elementar. 3. ed. São Paulo: Edgard Blücher, 2001.

CONSTANTINO, M.G; SILVA, G. V. J da; DONATE, P. M. Fundamentos de química experimental. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2004. Disponível em:< https://books.google.com.br/books?id=8L4RaCKKSAIC&lpg=PA62&dq=pipetador&hl=pt-BR&pg=PA62#v=onepage&q=pipetador&f=false> Acesso em: 20 maio 2015.

FIOROTTO, N. R. Técnicas Experimentais em Química. 1 ed. São Paulo: Érica, 2014.

INMETRO - Instituto Nacional de Metrologia. A importancia da utilização de pipetas normalizadas, 2010. Disponível em:<http://www.inmetro.gov.br/metcientifica/mecanica/pdf/ImportanciaPipeta.pdf> Acesso em: 22 maio 2015.

HARRIS, D.C. Análise Química Quantitativa. 6ª ed. Rio de Janeiro: LTC – Livros Técnicos e Científicos, 2005.

VOGEL. A. I. Química Analítica Quantitativa. 5. ed. São Paulo: Mestre Jou, 1981.

Origem da palavra

Do Francês PIPETTE, “tubo de vidro para transvasamento”, de PIPE, “flauta”.